Legado das Águas, no Vale do Ribeira em São Paulo, é destino para amantes de esportes de aventura.

27 maio, 2019 | AQUÁTICOS, BIKE, EVENTOS, TRILHAS

O Sujo de Barro conheceu o Legado das Águas, a maior reserva de Mata Atlântica do país. A equipe passou dois dias em meio a floresta conhecendo tudo o que 31 mil hectares de floresta nativa podem oferecer sem tirar uma única árvore do lugar. Além de ecoturismo e esporte de aventura, a Reserva oferece compensação de reserva legal por arrendamento, locação de espaço, estudo do meio para escolas e viveiro de espécies nativas da Mata Atlântica.
O tamanho do local corresponde a cidade de Curitiba, e essas atividades buscam tornar a Reserva autossustentável no prazo de alguns anos. Por ora, é mantida pela Votorantim, sendo uma das filiais da Reservas Votorantim, empresa do grupo, criada para estabelecer um novo modelo de área protegida privada, cujas atividades geram benefícios sociais, ambientais e econômicos de maneira sustentável, incluindo projetos com a comunidade local e pesquisas científicas com conhecimento compartilhado. 

Durante os passeios, a presença constante e marcante da Mata Atlântica nativa encanta, podendo encontrar espécies da fauna e flora em seu habitat. As trilhas são os locais ideais para contemplar a natureza. Já no Viveiro de Plantas, é possível conhecer mais de 80 espécies nativas reproduzidas pelo Legado das Águas, entre raras ou ameaçadas de extinção. Há também um Jardim Sensorial, com espécies de plantas com texturas variadas, estimulando o tato e olfato. O jardim é ligado à Trilha da Figueira Centenária, que além de estar no meio da floresta, possui acessibilidade para deficientes físicos.
Aventura a todo instante
Mas o Sujo de Barro foi atrás mesmo da aventura. Dentre as opções possíveis para atividades de ecoturismo e esporte – que são muitas – fizemos bike, trilhas e canoagem, além de conhecer o Viveiro e orquidário, que se saiba, é um trabalho inovador no Brasil, nunca feito antes.
A estrada foi longa. Saímos de Bauru (SP) às duas da madruga, na sexta-feira (17), chegamos por volta das 10 da manhã. Fomos recepcionados com um café da manhã digno de floresta, e também conhecemos mais a fundo o trabalho da Reserva com uma apresentação do gestor de Uso Público, Ecoturismo e Esportes do Legado das Águas, William Mendes.
O cara é esporte na veia. Apresentou o Legado e as atividades com todo entusiasmo.
Depois disso, rolou aquele almoço… e se soubéssemos antes o que estava por vir, teríamos comido muito mais para garantir mais energia!
A sexta-feira, nosso primeiro dia, foi de pedal. Para quem vem de São Paulo e outras localidades, pode até achar que 40km é pouco. Também achamos e fomos surpreendidos. Além de técnica de pedal em cascalho, a altimetria acumulada de quase 3 mil metros, exige muito preparo. Durante todo pedal, a presença da floresta conservada é marcante, cenários lindos, que só não tiram mais o fôlego que as inclinações dos morros da Mata Atlântica.
Depois do nosso pedal, foi a vez de conhecer “Mar de Morros” do Mirante do Sinal. Cerca de oito quilômetros de trekking. Chegamos no mirante! E posso dizer: nunca vi cenário igual. Com toda certeza vale o caminho. O trekking tem muita segurança, auxílio de cordas, trilhas bem estruturadas, ainda assim, também é preciso um pouco de preparo físico por conta da altimetria.
Entre escorregões e cansaço, alcançamos o pico. Uma visão impressionante de uma floresta completamente conservada.
Segundo dia
No segundo dia, conhecemos um pouco mais desse paraíso, de conservação e aventura. A primeira parada foi no Viveiro de Mudas Nativas. Não dá para ir no Legado das Águas e não conhecer o local. Do alojamento (muito bem estruturado), dá para ver o viveiro, é possível ter a dimensão da produção. A área do viveiro é de 1,5 mil metros quadrados com capacidade para produzir 200 mil mudas por ano, e hoje, já são replicadas 80 espécies nativas da Mata Atlântica.
O mais impressionante é a rastreabilidade, ou seja, com o seu celular na mão, é possível ter todo histórico da muda e onde está a “mãe” dela na floresta, ou seja, a árvore matriz que deu origem a muda. A Reserva chama esse processo de Código Verde, uma iniciativa pioneira na América Latina. O projeto é a prova de que é possível contribuir para a conservação da natureza por meio da integração com a tecnologia.
O orquidário é outro projeto do Legado das Águas. Funciona como uma UTI das orquídeas e bromélias. Desde 2015, acontece o trabalho de resgate de orquídeas que são encontradas em troncos caídos na mata e se permanecessem no chão, morreriam. As orquídeas estão entre as famílias de plantas mais cultivadas em todo planeta, por seu potencial ornamental, medicinal e alimentício. São, também, as mais ilegalmente coletadas. Nesse sentido, o orquidário do Legado atua com o objetivo de contribuir para conservação das espécies. O projeto “Orquídeas do Legado das Águas” é desenvolvido pelo pesquisador Luciano Zandoná, biólogo e especialista em orquídeas.
Não poderia faltar o almoço! Mais uma vez, batemos aquele rango…
A próxima atividade foi a canoagem. Quem vê aquelas águas calmas, não imagina o desafio que é remar no Rio Juquiá. É uma atividade que pode ser feita por qualquer pessoa, mas exige braço.
O mais interessante, é que a atividade acontece no Rio Juquiá, considerado um dos mais limpos do Estado de São Paulo. Ou seja, você faz a sua atividade tranquilamente, sem correr o risco de topar com elementos desagradáveis, comuns em rios poluídos.
A segurança é item indispensável na Reserva. Todos os detalhes são observados e todas as possibilidades consideradas. Segurança máxima, mas privacidade garantida para não atrapalhar a experiência com a atividade.
Remamos por 10km. A recompensa foi uma cachoeira linda. Apesar da chuva ter deixado o rio cheio, não atrapalhou a experiência. A energia de estar naquele local é indescritível.
Avaliação
A estrada do local já indica que é “roots” mesmo. Porém, há indicações por todo caminho. Se perder seria por falta de atenção apenas. Chegando na base, a gente desacredita que é possível ter aquilo tudo no coração de uma floresta.
Alojamento muito bem estruturado, banheiros e quartos limpos. Há dormitórios individuais ou conjuntos. O restaurante tem equipes dedicadas e uma comida muito boa, e várias opções, inclusive para quem é vegetariano ou vegano.
Ao saber que um dos integrantes da nossa equipe é alérgico a abelhas, prontamente toda equipe de segurança foi alertada.
As opções de ecoturismo e esporte de aventura, tem para todos os gostos e condicionamento físico.
Do Vale do Ribeira para o Brasil
Na bike, não é para iniciantes. É um pedal bem pesado até para quem é intermediário. Mas, ainda assim, vale o rolê ainda que seja empurrando a bike. Os projetos futuros estudam ligar a Rota Legado das Águas a outras rotas já existentes no Vale do Ribeira, como a Largamar. Aí sim, ficará um dos pedais mais tops do país, com toda certeza.
A estrutura já existente é para quem ama bike, e ama natureza. Para os profissionais, e mais preparados fisicamente, pode ser um pedal leve. Mas, não é um local para focar a vista apenas na sapatilha, mas para sentir a energia da Mata Atlântica. É para superar e ser superado. Para gastar energia e ainda assim, repor.
Já pedalamos por muitos lugares no Brasil, mas o Legado das Águas foi surpreendente. Para uma empresa que está tentando algo totalmente novo, como a gestão de uma reserva privada, está começando do jeito certo.
E quem for com o coração aberto, e ser visionário, saberá que está visitando um local único.
Ainda há o que melhorar, mas como diz uma das placas no Legado das Águas “Aqui quem manda é a natureza”, essas melhorias acontecerão no tempo certo, e com todo o respeito ao que temos de mais precioso: a floresta.
A nossa nota para o Legado das Águas é 9,5.
Sobre o Legado das Águas – Reserva Votorantim
O Legado das Águas, maior reserva privada de Mata Atlântica do país, com extensão aproximada à cidade de Curitiba (PR), é um dos ativos ambientais da Votorantim. Localizada na região do Vale do Ribeira, no sul do Estado de São Paulo, a área foi adquirida a partir da década de 1940 e conservada desde então pela Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), que manteve sua floresta e rica biodiversidade local com o objetivo de contribuir para a manutenção da bacia hídrica do Rio Juquiá, onde a companhia possui sete usinas hidrelétricas.
Em 2012, o Legado das Águas foi transformado em um polo de pesquisas científicas, estudos acadêmicos e desenvolvimento de projetos de valorização da biodiversidade, em parceria com o Governo do Estado de São Paulo.
Hoje, o Legado das Águas é administrado pela empresa Reservas Votorantim, criada para estabelecer um novo modelo de área protegida privada, cujas atividades geram benefícios sociais, ambientais e econômicos de maneira sustentável.

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